O Processo de Luto

A morte é a única certeza da vida.

Mas mesmo sabendo, estamos preparados para isso?

Costumo dizer que o ser humano raramente vai estar preparado para algo tão intenso assim, pois é quando o nosso corpo experimenta uma mistura de “picos” de sentimentos (horas muito alta, horas muito baixa). Talvez uma pessoa aceita e entenda mais do que outra, mas definitivamente luto é algo que ninguém quer passar.

Como é algo inevitável nesta vida, todos vamos passar por percas significativas, no qual é extremamente necessário vivenciar este momento como um processo de despedida. E a única forma de conseguir tocar sua vida normalmente, é conseguir dizer adeus a um ente querido e isso envolve sentimentos intensos de: tristeza, abandono, saudade, solidão, culpa, raiva, angustia, desamparo, alivio. Sentimentos estes que também geram sensações físicas desconfortáveis como: dor no estomago, diarreias, nó na garganta, choro, desespero, aperto no peito, coração acelerado e etc. Estes sentimentos e sensações são importantes para a elaboração do luto, quando a pessoa não consegui vivenciá-lo, talvez por não se sentir confortável e achar que tem que ser a mais forte da família, ou por não saber mesmo como se despedir, também como uma forma de fuga do ego você tenta evitar de sentir tudo isso para não sofrer. O fato é que quem não vivencia o processo de luto no momento certo, fica vivenciando estes sentimentos e sensações a vida toda, deixando de viver sua vida presente.

Esses sentimentos e sensações físicas pode trazer mudanças comportamentais, tais como: insônias, pesadelos, hiperatividade, ansiedade, perca de apetite, ou seja, quando você não vivência o processo do luto no momento certo, esses comportamentos podem lhe perseguir por um bom tempo.

Para vocês entenderem melhor, vou dar uma exemplo prático do que escrevi: Tive uma paciente que cuidou de 4 pessoas muito queridas no leito de morte, 2 irmãos, mãe e por último o pai. No momento do acontecimento ela conseguiu cuidar, correr atrás de médicos, hospitais, trabalhar, conversar com os familiares e etc. Depois do último luto ela adoeceu e não voltou mais ao que era antes. Sempre teve em mente ser uma pessoa forte, e por conta disso tentava ao máximo não demonstrar o seu estado emocional. Por conta desse acumulo e também por não se permitir em vivenciar esses lutos acabou desenvolvendo Pânico, não podia ouvir falar de doença, hospital, velório; fisicamente não dormia bem, teve bruxismo, dor no peito, dormência na língua, e acabava vivendo em função de suas próprias dores.

A boa notícia que é este processo quando mal elaborado você tem a oportunidade de tratá-lo em terapia.

 

Como Tratar

Para explicar o tratamento do EMDR, usamos a mesma teoria do Sono REM, estágio mais profundo do sono em que acontecem os movimentos oculares rápidos, é neste estágio que o nosso cérebro processa toda a experiência do dia. Entretanto quando passamos por alguma experiência traumática o cérebro tem mais dificuldade de processar estes conteúdos, deixando assim “rastros neurológicos”. É ai que entra a ajudinha da terapia EMDR, pois ela auxilia o reprocessamento dessas lembranças ou sentimentos negativas transformando e recuperando lembranças e sentimentos positivos.

 

Como funciona a sessão?

Nas sessões de EMDR utilizamos muito a concentração e a memória. O paciente traz um tema/lembrança/evento/sentimento/pensamento que lhe perturbe e começamos a trabalhar esses disparadores. E ao contrário do que se imagina, o EMDR não é nenhum tipo de hipnose, mesmo porque o paciente sempre está no controle da situação e pode pedir para parar ou acelerar o procedimento a qualquer momento.

Nessa terapia eu descobri que nosso cérebro é incrível e temos que confiar nele. A Dra. Francine Shapiro diz “se o corpo humano tem a capacidade de curar as feridas físicas, porque não a mente?” E de fato tenho comprovado isso dentro do consultório. Uma das maiores vantagens do EMDR é de ser uma terapia rápida, porque é nosso cérebro que realiza a cura.

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