Você tem culpa do quê?

Costumo falar que todos nós temos um sentimento e/ou crença negativa sobre nós mesmo que move nossa vida nos relacionamentos sociais, familiares, conjugal e etc.

É bem difícil de perceber, porque parece que ele já está embutido em nossa personalidade de tal forma que se você se livrar desse sentimento negativo, pode dar a impressão de perda da própria identidade.

Acontece que esses sentimentos e crença negativa são desproporcionais, e mesmo a gente lutando para se livrar para não sentir, por exemplo: a culpa; criamos uma emboscada psicológica e sentimos essa culpa independente do que você faça.

Tive um paciente que era alimentado pelo sentimento culpa, não importava o que ele fazia, ele sentia culpa, o reconhecimento foi algo libertador para ele, que recém separado, sofria por achar que a separação fosse culpa só dele, esse sentimento o movia de tal forma, que ele tentava suprir todas as necessidades comprando e dando de tudo para sua filha e ex-mulher, ele me dizia assim: “faço isso para não me sentir culpado”. Acontece que como ele dava tudo para sua filha e sua ex-mulher, não sobrava nada para ele, então acabou indo morar em um lugar que só tinha uma cama para dormir, e toda vez que se deparava com aquele cômodo vazio, sentia culpa “está vendo você está assim por culpa sua”!

O sentimento desproporcional lhe cega de tomar uma iniciativa e procurar solução, você fica mergulhado nessa culpa, e não consegue enxergar além.

 

Estratégia de tratamento

A primeira estratégia é fazer o reconhecimento do sentimento desproporcional.

A segunda é começar a tratar o próprio sentimento.

 

Tratamento

Para explicar o tratamento do EMDR, usamos a mesma teoria do Sono REM, estágio mais profundo do sono em que acontecem os movimentos oculares rápidos, é neste estágio que o nosso cérebro processa toda a experiência do dia. Entretanto quando passamos por alguma experiência traumática o cérebro tem mais dificuldade de processar estes conteúdos, deixando assim “rastros neurológicos”. É ai que entra a ajudinha da terapia EMDR, pois ela auxilia o reprocessamento dessas lembranças ou sentimentos negativas transformando e recuperando lembranças e sentimentos positivos.

 

Como funciona a sessão?

Nas sessões de EMDR utilizamos muito a concentração e a memória. O paciente traz um tema/lembrança/evento/sentimento/pensamento que lhe perturbe e começamos a trabalhar esses disparadores. E ao contrário do que se imagina, o EMDR não é nenhum tipo de hipnose, mesmo porque o paciente sempre está no controle da situação e pode pedir para parar ou acelerar o procedimento a qualquer momento.

Nessa terapia eu descobri que nosso cérebro é incrível e temos que confiar nele. A Dra. Francine Shapiro diz “se o corpo humano tem a capacidade de curar as feridas físicas, porque não a mente?” E de fato tenho comprovado isso dentro do consultório. Uma das maiores vantagens do EMDR é de ser uma terapia rápida, porque é nosso cérebro que realiza a cura.

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